segunda-feira, 18 de abril de 2011

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Apr
Um sistema autofágico ameaça os EUA. E o mundo.

Mais cedo ou mais tarde, isso ia acontecer. E aconteceu, hoje, com o rebaixamento para “negativa” pela agência Standard & Poor’s da classificação de risco dos títulos do Tesouro dos EUA.

É, como dizia uma velha música de Geraldo Vandré, “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

Os EUA praticam tudo ao inverso do que ditam como regra aos países em desenvolvimento: déficit orçamentário, déficit comercial e taxas de juros muito baixas. E se financiam emitindo papéis em sua própria moeda , o dólar. Por que? Porque o dólar, desde a Conferência de Breton Woods, no final da 2ª Guerra, tornou-se o padrão internacional de valor, substituindo o ouro e a libra esterlina, referências até antes de o conflito mundial detonar a ordem econômica do início do século.

E quem compra os papéis do Tesouro americano, com seus juros baixinhos, em troca da segurança que oferecem? Ora, ora, ora… Nós, os países em desenvolvimento, que precisamos capitalizar nossas reservas em segurança, porque não podemos imprimir “dinheiro mundial”, como eles.

A China é principal detentora da dívida americana, somando quase US$ 1 trilhão em Treasuries Bonds. O Japão, é o segundo maior credor dos Estados Unidos, logo abaixo da China. Depois vêm os ingleses, o conjunto de países árabes e, em quinto, o Brasil, que segue uma trajetória inversa á dos demais Brics: aumentou o total investido em dívida do Tesouro americano em 8 %, para US$ 197,6 bilhões, nos três meses até janeiro deste, enquanto a Rússia reduziu em 21 % e a China em 1,8 %.

O efeito de um rebaixamento do “rating” dos títulos da dívida pública americana, se for seguido pelos demais classificadores do mercado, pode ser devastador.Ontem, o ex-presidente do Fed (uma espécie de presidente eterno, para os analistas) grito pelo aumento de impostos internos, pedindo que voltem aos níveis do Governo Clinton, depois dos cortes tributários promovidos por Bush.

Mas os perigos não apenas para os Estados Unidos, que não vêem, no curto prazo, uma perspectiva de desvalorização de suas letras como aconteceu na crise de 2008. São para todo o mundo, porque o melhor remédio para captar recursos com títulos do Tesouro dos EUA é a chamada “aversão ao risco”, que ocorre em meio às crises globais da economia.É um movimento que leva os capitais para os EUA e valoriza a moeda americana.

O movimento, nos últimos tempos, tem sido o inverso, com os juros baixos dos EUA fazendo o mundo inundar-se de dólares. Mas uma crise pode virar isso, como fez em 2008.

E crise é como incêndio em palha seca, numa economia presa a alavancagens absurdas de capital, onde o lastro em valor real é várias vezes menor do que o capital “virtual” que governa as relações econômicas.

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Cai número de cheques sem fundo. É grave a crise!

O número de cheques sem fundo emitidos de janeiro a março, segundo o Serasa, foi o menor desde 2005. Ano passado, sobre um total de 281 milhões de cheques, foram 5,4 milhões foram devolvidos. Este ano, foram 4,8 milhões, sobre um total de 255 milhões. A redução do volume total de cheques, obviamente, decorre em boa parte do aumento das transações eletrônicas. Houve um pequeno aumento em março deste ano (2,13%) sobre março de 2010 (2,04%), mas o número é muito inferior ao período da crise; no mesmo mês de 2009, a percentagem de cheques devolvido foi de 2,46%.

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Lula dá um “xô” nos urubus da Copa

Posto aí em cima uma entrevista feita pelo repórter Carlos Vasconcelos, postada hoje no site mobilização.br , com o ex-presidente Lula em que ele dá um “chega pra lá” no alarmismo de que o Brasil não conseguirá cumprir sua preparação para a Copa do Mundo. Lula diz que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, anda pensando com “cabeça de burocrata europeu”.
-É uma pena que haja gente que fique sempre jogando para trás, sempre achando que não vai dar certo, sempre duvidando. Eu sinceramente acho que Deus não ajuda a quem pensa assim.

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Dilma quer computador mais barato no Brasil

“A presidenta da República, Dilma Rousseff, afirmou que quer baratear os preços dos computadores ao consumidor e fazer com que eles sejam acessíveis para qualquer brasileiro. Em entrevista ao programa de rádio Café com a Presidenta, apresentado hoje. Dilma disse que os acordos fechados com a China deverão ajudar a diminuir o preço de aparelhos eletrônicos por aqui. E destacou que não seremos uma simples plataforma de montagem: “Nós vamos ter muito trabalho pela frente, vamos ter de formar brasileiros e brasileiras capacitados para trabalhar nesta área de tecnologia de informação. Mas uma coisa é certa: as empresas não estão vindo para cá por acaso. No ano passado, o Brasil foi o terceiro país que mais vendeu computador no mundo, e isso significa um grande mercado potencial.”

Dilma também falou na necessidade de mudar o perfil de nosso relacionamento comercial com a China, exportanto produtos mais elaborados.

-Quando o presidente Lula esteve pela primeira vez na China, nós evoluímos muito no volume do nosso comércio, e a China tornou-se o nosso maior parceiro comercial. Essa parceria tem sido boa em vários setores. Nós realizamos, por exemplo, várias pesquisas e iniciativas na área de satélite, lançamos, juntos, três satélites, e agora vamos lançar o quarto e o quinto.(…)Mas, ainda, queremos mais. Hoje, nós vendemos muita matéria-prima para a China, queremos vender a matéria-prima, mas também queremos vender os produtos mais elaborados. Vou explicar um exemplo: o produto que mais vendemos para os chineses é o minério de ferro. Queremos, também, vender aço e mesmo produtos acabados de aço.

Sem o Agnelli na Vale vai ser possível. Clique no “play” para ouvir a íntegra da entrevista.

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“Tadinha” da CIA, ela é tão bobinha…

Combates na invasão na Baía dos Porcos não foram "conto da carochinha"

A Folha de S. Paulo publica hoje uma londa entrevista do sr. Peter Kornbluh, diretor do projeto Cuba do National Security Archives, instituição governamental americana que administra os arquivos – ainda parcialmente secretos – da espionagem do EUA.

Cândidamente, este senhor tenta fazer crer que o fracasso da tentativa de invasão a Cuba, na Baía dos Porcos, foi quase deliberado e nada teve a ver com a resistência que os cubanos opuseram ao desembarque de mercenários e agentes americanos, há 50 anos, em Playa Girón.

Se acreditarmos piamente em sua narrativa, vamos nos convencer que a CIA nem mesmo coseguiria acertar um sorvete na testa: erraria a testa.

Vejam só estes trechos:

“Primeiro pensaram em criar pequenas células de infiltrados que seriam levados a Cuba e teriam armas fornecidas por aviões que as jogariam do ar. (…)Tentaram levar os infiltrados, mas os camponeses os entregaram às autoridades imediatamente. Foram presos, interrogados, e contaram onde as armas seriam jogadas e as datas. Quando os aviões levaram as armas, os militares cubanos estavam lá esperando por elas. Acabamos armando o Exército (cubano).“

Depois, diz que todos sabiam que não iria dar certo, mas que levaram o plano em frente por causa da repercussão que teria junto aos 1,5 mil exilados cubanos envolvidos na operação e a tornar-se público que os EUA patrocinavam uma invasão. Ora, até parece que ian ter tamanha consideração com os exilados e que fazer a invasão não tornaria tudo público.

Claro que houve o que nós chamamos de “bateção de cabeça” naquela operação, e essa informação nem é nova. Faz parte do livro “Por dentro da Companhia”, do ex-agente da CIA Phillip Agee, que foi duramente perseguido pelo governo Americano, teve seu passaporte cancelado, expulso da Inglaterra onde procurou proteção durante a após a publicação do livroe finalmente, ido para Cuba, onde morreu em 2008.

Mas a CIA nada tem de amadora ou ineficiente, e muito menos está extinta. E é impressionante a desfaçatez com que um país confessa que armou uma invasão a outro, que despachou bombardeiros contra outra nação, que tentou assassinar um governante sem que venha daí nenhuma condenação moral.

E o mais grave, não há nenhuma condenação pelo fato de os EUA manterem como possessão, há um século, e por “arrendamento perpétuo” estabelecido em 1903, um pedaço do território cubano: Guantánamo, palco de uma das vergonhas dos tempos atuais: as prisões ilegais às quais Barack Obama prometeu dar fim e, até agora, permanecem afrontando o direito internacional.

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Os chineses não dão moleza aos “juristas”

Os meios de comunicação brasileiros estão pregando, desavergonhadamente, uma elevação cavalar nas taxas de juros, sob o pretexto de “matar” o fantasma ressurreto da inflação.

Querem, servindo – como sempre, aliás – de tambor aos interesses financeiros, mais lucros à custa do Tesouro, muito mais que frear a economia pela restrição ao crédito.

Subir juros, dizem, “é o que está no manual”.

Em que manual? No que nos levou à crise de 2008, no que não funcionava há décadas, nos trazendo recessões cíclicas?

E o mundo, por acaso, está seguindo à risca este “manual”?

Os países desenvolvidos estão com os juros muito abaixo de suas taxas de inflação (negativos, portanto) e ainda relutam em subir em meio pontinho que seja o prêmio dos seus tesouros públicos aos investidores.

Escrevi aqui que a política de juros que pretendem – e em parte obtiveram – é como a jaboticaba. Só mesmo no Brasil.

Porque outros países seguem caminhos bem diferentes.

A China, por exemplo, está enfrentando uma inflação semelhante á nossa. Os juros, depois de longo período de estabilidade em 5,31% subiram para 6,31%, como resposta a uma acelaração da inflarão, que chegou a 5,4%, contra 3,5% em agosto passado.

Nós saímos de 8,75% ao ano para 11,25% na taxa Selic, contra uma uma aceleração inflacionária de 4,5% (acumulado em 12 meses em agosto passado) para 6.3%.

Embora os números sejam diversos (especialmente na taxa de juros), a trajetória é semelhante, inclusive na concentração da inflação no preço dos alimentos.

Só que a autoridade monetária chinesa, o BC deles, pressionada por aumentos maiores dos juros, tem preferido ser mais econômica nestas elevações e ampliar o enxugamento do crédito pela elevação do depósito compulsório dos bancos. Ontem, pela quarta vez neste ano, este depósito obrigatório foi elevado, em mais 0,5%.

A elevação do compulsório aqui – feita em fevereiro pelo ministro Guido Mantega – ainda é um remédio menos traumático para a economia que uma nova alta nos juros.

Existem outros. É deles que o Governo deve lançar mão, aproveitando a sua solidez política, que lhe dá condições de enfrentar o chororô do mercado, via mídia, que não cansará de falar que isso é intervencionismo estatal, coisa que eles só apreciam para pagar mais juros ou para socorre-los nas dificuldades.

Elevação do compulsório, eliminação das “vias de fuga” desta obrigação, como as letras financeiras, estabelecimento de alíquotas de exportação de commodities, fixação de posições mínimas de “hedge” para as instituições – sobretudo as financeiras – endividadas em dólar (o que reduziria a massa imensa de recursos que está jogando contra nossa moeda), enfim, um arsenal que pode ser usado – sem dúvida, com prudência – sem impactar a estrutura produtiva e as contas públicas como faz a elevação dos juros.

Mas é dela que o mercado gosta, é isso que o mercado quer. Ganhar, mais, e já. O amanhã, para eles, é – adoram este termo, não é? – “volátil”.

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