Maria Inês Nassif: A resistência à mobilidade social
Voto do nordestino vale o mesmo que o do paulista
Maria Inês Nassif, no Valor Econômico
O Brasil elegeu, por dois mandatos, um ex-metalúrgico como presidente da República. Agora elege uma mulher. Ambos de centro-esquerda. Para quem assistiu de fora a eleição de Dilma Rousseff e os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode parecer que o país avança celeremente para uma civilizada socialdemocracia e busca com ardor o Estado de bem-estar social. Para quem assistiu de dentro, todavia, é impossível deixar de registrar a feroz resistência conservadora à ascensão de uma imensa massa de miseráveis à cidadania.
Ocorre hoje um grande descompasso entre classes em movimento e as que mantêm o status quo; e, em consequência de uma realidade anterior, onde a concentração de renda pessoal se refletia em forte concentração da renda federativa, há também um descompasso entre regiões em movimento, tiradas da miséria junto com a massa de beneficiados pelo Bolsa Família ou por outros programas sociais com efeito de distribuição de renda, e outras que pretendem manter a hegemonia. A redução da desigualdade tem trazido à tona os piores preconceitos das classes médias tradicionais e das elites do país não apenas em relação às pessoas que ascendem da mais baixa escala da pirâmide social, mas preconceitos que transbordam para as regiões que, tradicionalmente miseráveis, hoje crescem a taxas chinesas.
A onda de preconceito contra os nordestinos, por exemplo, é semelhante ao preconceito em estado puro jogado pelos setores tradicionais no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na própria eleita, Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral. É a expressão do temor de que os “de baixo”, embora ainda em condições inferiores às das classes tradicionais, possam ameaçar uma estabilidade que não apenas é econômica, mas que no imaginário social é também de poder e status.
Há resistências à mobilidade social e regional
São Paulo foi a expressão mais acabada da polarização eleitoral entre pobres de um lado, e classe média e ricos de outro. Os primeiros aderiram a Dilma; os últimos, mesmo uma parcela de classe média paulista que foi PT na origem, reforçaram José Serra (PSDB). A partir de agora, pode também polarizar a mudança política que fatalmente será descortinada, à medida que avança o processo de distribuição regional de renda e de aumento do poder aquisitivo das classes mais pobres. A hegemonia política paulista está em questão desde as eleições de 2006 – e Lula foi poupado do desgaste de ter origem política em São Paulo porque era também destinatário do preconceito de ter nascido no Nordeste; e, principalmente, porque foi o responsável pela desconcentração regional de renda.
Com a expansão do eleitorado petista no Norte e no Nordeste do país, houve uma natural perda de força dos petistas paulistas, diante do PT nacional. Do ponto de vista regional, o voto está procedendo a mudanças na formação histórica do PT, em que São Paulo era o centro do poder político do partido. Isso não apenas pelo que ganha no Nordeste, mas pelo que não ganha em São Paulo: o partido estadual tem dificuldade de romper o bloqueio tucano e também de atrair de novos quadros, que possam vencer a resistência do eleitorado paulista ao petismo.
No caso do PSDB, todavia, a quebra da hegemonia paulista será mais complicada. Os tucanos continuam fortes no Estado, têm representação expressiva na bancada federal e há cinco eleições vencem a disputa pelo governo do Estado. No resto no do país, têm perdido espaço. Parte do PSDB concorda com o diagnóstico de que a excessiva paulistização do partido, se consolida seu poder no Estado mais rico da Federação, tem sido um dos responsáveis pelo seu encolhimento no resto do Brasil. Mas é difícil colocar essa disputa interna no nível da racionalidade, até porque o partido nacional não pode abrir mão do trunfo de estar estabelecido em território paulista; e, de outro lado, o partido de Serra tem uma grande dificuldade de debate interno – como disse o governador Alberto Goldman em entrevista ao Valor, é um partido com cabeça e sem corpo, isto é, tem mais caciques do que base. Não há experiência anterior de agregação de todos os setores do partido para discutir uma “refundação” e diretrizes que permitam sair do enclave paulista. Não há experiência de debate programático. E aí o presidente Fernando Henrique Cardoso tem toda razão: o PSDB assumiu substância ideológica apenas ao longo de seu governo. É essa a história do PSDB. A política de abertura do país à globalização, a privatização de estatais e a redução do Estado foram princípios que se incorporaram ao partido conforme foram sendo assumidos como políticas de Estado pelo governo tucano.
Todos os partidos, sem exceção, estão diante de um quadro de profundas mudanças no país e terão que se adaptar a isso. Fora a mobilidade social e regional que ocorreu no período, houve nas últimas décadas um grande avanço de escolaridade. A isso, os programas de transferência de renda agregaram consciência de direitos de cidadania. O país é outro. Não se ganha mais eleição com preconceito – até porque o voto do alvo do preconceito tem o mesmo valor que o voto da velha elite. Se os grandes partidos não se assumirem ideologicamente, outros, menores, tomarão o seu espaço.
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Armando Mazzini · 7 horas atrás
Gostaria muito de ver o Estado, ao invés de priorizar Copa do Mundo e Olimpíadas, implantar uma revolução educacional com formação integral, que além de instrução de qualidade focasse a cidadania e responsabilidade social.
Maria Inês Nassif: A resistência à mobilidade social « Razão Crítica
rubem · 13 horas atrás
simas · 10 horas atrás
simas · 10 horas atrás
Rubem, meu querido, vc tem toda a razão... a nossa Inês não foi feliz, em sua afirmação. O primeiro Gov Lula foi importantíssimo; pq lá se consolidou toda a tenacidade do trabalho do governante e do seu partido... Não se esqueça q o PT foi tenazmente atacado nesses tempos e sobreviveu, vitoriosamente, no segundo período Lula, com os resultados políticos de gestão, pública.
Obrigado
Leonardo Câmara 68p · 10 horas atrás
Lula acordou com as fortes manifestações dos movimentos sociais por volta de 2003 e se recuperou parcialmente. Ele sem Dilma não teria dado em muita coisa.
Fabio_Passos 85p · 14 horas atrás
Já passou da hora de derrubar este Apartheid Social.
Fabio_Passos 85p · 14 horas atrás
"Em repúdio ao preconceito contra os nordestinos em São Paulo" http://www.ivanvalente.com.br/2010/11/em-repudio-...
"
Como paulista, me sinto no dever de subir a esta tribuna para manifestar toda a minha solidariedade ao povo nordestino e meu mais profundo repúdio às manifestações de preconceito que pessoas nascidas em meu estado tem manifestado nas últimas semanas...
... sem dúvida é algo que reflete um preconceito historicamente construído em nosso estado, principalmente na capital São Paulo, onde há muito tempo manifestações racistas e de preconceito étnico, regional e de orientação sexual vem sendo tratadas com “naturalidade”, ganhando inclusive pouca visibilidade dos meios de comunicação.
Em cenários como este, a discriminação racial é banalizada e deixa o caminho aberto para incitações à violência e ao ódio de classe...
A gravidade da situação é tamanha que estes cidadãos se sentem à vontade, sem qualquer pudor, para aprofundar seu preconceito e propor ações que beiram ao fascismo. É o caso do grotesco manifesto “São Paulo para os paulistas”, que já conta com milhares de assinaturas na internet. Para seus autores e signatários, então entre as responsabilidades da migração dos nordestinos para São Paulo a alta criminalidade e os hospitais superlotados em nosso estado. São incapazes de enxergar a brutal desigualdade social em nosso país, que força milhares de famílias a deixarem o pouco que tem para traz em busca de alguma dignidade. Tampouco enxergam essa mesma desigualdade como a raiz da violência em todo o Brasil – e não apenas em São Paulo.
"
duncan semple · 15 horas atrás
Mangueira encanta
E canta a história que o povo faz, ô, ô, ô, ô,
Vem mostrar a nação do valente sertão
De guerras e de sonhos imortais
A cada invasão, uma reação (...)
Pra que cada gota seja o pão de cada dia
Jogo flores ao mar pra saudar iemanjá
E na lavagem do bonfim, eu peço axé
Terra encantada e predestinada
Tua beleza não tem fim
Brasil, no coração eu levo paz
Pau-de-arara nunca mais
Vou invadir o nordeste, seu cabra da peste
Sou mangueira
Com forró e xaxado, o filho do chão rachado
Vem com a estação primeira
Bonifa · 13 horas atrás
José Ruiz · 15 horas atrás
Luis Soares · 16 horas atrás
www.pragmatismopolitico.blogspot.com
Archibaldo S Braga · 16 horas atrás
Valter · 17 horas atrás
Antonio · 17 horas atrás
A substância ideológica do PSDB fede a esgoto puro e é o extrato do fisiologismo. Basta ver a relação de obras e secretarias de São Paulo que têm problemas de corrupção. Basta ver a quantidade de terceirizações, porteiras fechadas e contratações sem licitação. Basta ver a quantidade de amigos que usufruem dos governos do PSDB. Basta ver a quantidade de pedágios no Estado de São Paulo e seu preço. Basta ainda ver como o PSDB destrói o Estado com baixos salários e com o sucateamento das instituições como Polícia e Segurança Pública, Educação e Saúde. Quando o PSDB largar São Paulo é porque não consegue tirar dali um centavo. e aí acaba o PSDB. O PSDB não respira sem São Paulo.
Rafael Andrade 52p · 10 horas atrás
Cícero 70p · 13 horas atrás
Antonio · 17 horas atrás
Lembram alguns dos problemas?
- Desde 2006 o PSDB deixou de retirar a terra do Rio Tietê (desassoreá-lo) e por isso qualquer chuva faz São Paulo inundar;
- O Governo Federal envia dinheiro para o SUS de SP. Sumiram R$ 400 mil se não me engano, e o PSDB vai ter que dar conta do dinheiro desaparecido;
- Paulo Preto sumiu com o dinheiro que arrecadou para o Caixa 2 da campanha de Serra. Quem informou foi o próprio PSDB através da Revista Isto É;
- O PSDB, no governo Serra comprou sem licitação revistinhas da Editora Abril, jornais, revista Veja etc por R$ 254 milhões sem licitação, inundando as escolas estaduais dessas coisas, sem qualquer utilidade para o aluno ou para o professor;
- Há o caso Alston;
- Há o Rodoanel, onde o TCU encontrou inúmeras irregularidades;
- Há a licitação da linha lilás, se não me engano, que foi fraudulenta (noviiiidaaade).
Cícero 70p · 17 horas atrás
Geralmente, depois da tempestade, vem a calmaria. Desse modo, creio que esse debate, assinalado por ações e reações de classes, ora ofensivas, racistas, preconceituosas, ora moderadas, esclarecedoras, conciliatórias, creio que esse debate, repito, dará lugar a uma sociedade mais politicamente equilibrada. Acredito que nos aproximamos do desfraldar de um novo modelo social, mais decantado e amadurecido, caracterizado por relações pacíficas e prósperas entre os brasileiros de todas as regiões, de todas as cores, de todos os credos, independentemente de sexo ou condição social. Pelo menos, é o que espero.
Se a chamada classe "A" é o óbice a ascensão de classes menos favorecidas, pergunto: com o advento da Web, até quando as elites conservadoras resistirão?
O_Brasileiro 67p · 17 horas atrás
easonnascimento 64p · 17 horas atrás
http://easonfn.wordpress.com
Gerson Carneiro 107p · 17 horas atrás
O ABESTADO PASSOU NO TESTE!!!
( Tiririca será empossado )
Agora Zé Bolinha morre de inveja, e de vergonha.
"Ôrra meu! até o Tiririca!"
Bonifa · 11 horas atrás
francisco.latorre 101p · 15 horas atrás
entra tiririca.
melhorou. bem.
..
El Cid 90p · 17 horas atrás
É de se espantar o vazio de material da Fundação Teotonio Vilela. Os documentos mais recentes datam do inicio do milenio, o resto é apenas um espelho do site do PSDB, com denuncias e criticas raivosas que bem conhecemos.
Já o site do Perseu Abramo vai roubar no minimo um dia do leitor para levantar a quantidade de material. Já vejo, com alguma preocupação, o envelhecimento dos diversos livros, mas não chega ao absurdo que se vê no Teotonio Vilela. São documentos de eventos, estudos, livros, revistas, debates, que parece que estamos em um partido europeu...
Portanto, confirma-se a ausencia de qualquer discussão programatica entre os tucanos, um absoluto deserto de idéias, pelo que o partido reduz-se a um clube eleitoral a la americana, em torno de alguns figurões auto-declamados competentes (daí a insistência na campanha de "curriculos", e não de programas).
Enquanto isso, o PT tem estrutura partidária, há uma intelectualidade ativa, que discute programas e posições, até critica o governo petista que não implementa as decisões do partido em virtude dos compromissos da aliança, e por aí vai.
Mas é um partido que (ainda) está organizado e ativo como tal. É engraçado que a direitona hidrófoba que se apresenta nas colunas dos jornais chama o PT de bando de preguiçosos...
Bonifa · 11 horas atrás
Antonio · 14 horas atrás
El Cid 90p · 18 horas atrás
Em resumo, parcelas das classes médias e altas ainda não romperam com as tradições do passado, a exemplo da monarquia, quando a população se dividia entre nobres e plebeus. Ou, numa visão mais radical, a exemplo do tempo da escravidão, dividido entre a Casa Grande e a Senzala.
Antonio · 14 horas atrás
Wellington_Vibe 64p · 18 horas atrás
A grande maioria da minha geração dentro do meu núcleo de amigos, que contemplam os dois tipos de jovens acima citados, apresenta comportamento e opiniões de caráter conservador e fundamentalista, ou seja, de direita. Me espanta e me preocupa.
Antonio · 13 horas atrás
blogdacoroa 42p · 18 horas atrás
Caro futuro-ex-deputoado Itagiba, quando vi que Vossa Excrescência havia sido defenestrado do Conngresso pelo silêncio eloquente das urnas, enviei um pequeno fax à Companhia de Águas e Esgoto da minha cidade com o singelo texto:____"Missão cumprida!"
Se eu dispusesse no momento das nossas maravilhas tecnológicas que me conectassem ao twitter eu teria sido mais geração Y e bradaria em bom e alto caps lock: CHUUUUUUUUUUUUUUUPAAAAAAAAAAAAAA
O medo por trás da onda de preconceito contra nordestinos « Cachaça Araci
angela · 19 horas atrás
orgulho ver que temos jornalistas como você, Artigo fantástico, análise que tenta ir aos pontos cru-
ciais, digo tenta pq sempre haveria mais coisa a dizer, não é?Parabéns para nós mulheres atrevidas
ainda transitando nesse cipoal machista.
Laurindo · 17 horas atrás
dukrai 80p · 13 horas atrás
Eduardo Oliveira · 21 horas atrás
eduardo
Luísa · 21 horas atrás
Bernardo F Costa · 21 horas atrás
Ed Döer · 18 horas atrás
Ou seja, jornais e TVs perdendo terreno e poder para o pessoal (tanto os grandes portais como os blogs sujos) da Internet.
Marcia Costa · 22 horas atrás
Daniel · 20 horas atrás
Juliano Iowa 36p · 21 horas atrás
Quem lembra do episódio das mulheres no congresso?
Cícero 70p · 18 horas atrás
Carlos Morales · 20 horas atrás
francisco.latorre 101p · 15 horas atrás
..
Paulo · 18 horas atrás
MENOS RUIM.
HEHEHE........